domingo, 19 de setembro de 2010

Grande BH tem descentralização do emprego e da renda


Marta Vieira - Estado de Minas
Publicação: 19/09/2010 07:57 Atualização:
 

Quem diria que os municípios do entorno da capital fariam sombra à metrópole na evolução dos rendimentos do trabalho, uma questão central que alimenta o êxodo dos trabalhadores em direção a BH? Nos últimos sete anos, de fato, os vencimentos dos trabalhadores que moravam e trabalhavam nos municípios da periferia da região metropolitana surpreenderam, com crescimento de 5,9% ao ano. Em 2009, a renda média, descontada a inflação, atingiu R$ 909 por mês.

Quem trabalhou em BH, mas morava nos demais municípios, viu seus rendimentos crescerem a taxas de 3,5% anuais de 2003 a 2009. A renda média real no ano passado era de R$ 1.165, de acordo com o estudo “Urbanização, mobilidade populacional e novas especialidades no contexto metropolitano de Belo Horizonte: tendências recentes e os desafios ao planejamento urbano”. A boa-nova, para o economista Mário Rodarte, um dos autores da pesquisa, está justamente nessa tendência de desconcentração do emprego e da renda na Grande BH, como reflexo do surgimento de alguns polos de desenvolvimento fora da capital.

A assistente administrativa Natália Santos Silva, de 25 anos, saiu beneficiada pela recente onda de expansão da indústria e das empresas prestadoras de serviços à mineração em Nova Lima, distante 22 quilômetros da capital. À procura de novas experiências profissionais, no ano passado ela deixou uma indústria de massas em troca do trabalho numa grande prestadora de serviços de pesquisa mineral.

O segmento de prestação de serviços à indústria é um dos que mais cresce fora da capital, observa Lincoln Gonçalves, da Fiemg, junto à expansão de empreendimentos na rota do chamado Vetor Norte de BH, em direção ao Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, na região metropolitana. A Fiemg está trabalhando com taxas de crescimento de 11,5% da indústria mineira neste ano. Mário Rodarte, do Dieese, destaca que a capital ainda preserva a condição de mercado de trabalho mais ativo e estruturado no setor de prestação de serviços, oferecendo maior número de vagas e melhores salários ao trabalhador. (MV) 
 

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